A reabilitação raramente é um processo rápido. Os doentes necessitam de semanas ou mesmo meses de treino repetitivo, enquanto os profissionais de saúde têm de conciliar os resultados clínicos com as limitações de recursos.

A realidade virtual (RV) transforma a forma como a reabilitação é realizada. Combina ambientes imersivos, feedback em tempo real e acompanhamento objetivo do progresso, o que torna a terapia mais envolvente para os doentes e mais fácil de monitorizar para os profissionais de saúde.

Neste artigo, os especialistas da VOKA explicam como funciona a reabilitação com RV, em que áreas proporciona maior valor clínico e quais os desafios que as organizações devem esperar. Além disso, partilhamos como as redes de cuidados de saúde podem implementá-la com sucesso na prática.

Por que razão a reabilitação com RV é importante para os cuidados de saúde modernos?

Os programas tradicionais de reabilitação exigem frequentemente uma supervisão individual intensiva, exercícios repetitivos e avaliações frequentes do progresso. A reabilitação com RV dá resposta a estes pontos críticos.

Para clínicas, seguradoras e investidores do setor médico, o benefícios da RV no setor da saúde é definido por vários pilares fundamentais.

1. Otimização de recursos e redução de custos

Nos contextos clínicos tradicionais, a receita terapêutica é definida por uma abordagem baseada na relação terapeuta-paciente. Isto significa que a capacidade da clínica é limitada pelo número de especialistas disponíveis. A tecnologia de RV altera esta situação.

  • Disponibilidade para vários doentes. Com uma solução de RV, vários doentes podem seguir o mesmo programa terapêutico em simultâneo ou quando lhes for mais conveniente.

  • Redução do tamanho dos equipamentos. Os simuladores robóticos de alta gama e as camas de mobilização exigem investimentos avultados e ocupam espaço valioso. Os equipamentos de RV portáteis permitem alcançar os mesmos resultados a um custo muito mais baixo.

2. Expansão geográfica

A reabilitação tradicional exige que os doentes se desloquem a uma clínica para sessões regulares de terapia, o que pode limitar o acesso aos cuidados de saúde. Por outro lado, a reabilitação com RV permite que determinados exercícios e avaliações sejam realizados à distância. Em alguns casos, as clínicas podem disponibilizar aos doentes dispositivos de RV pré-configurados, permitindo-lhes continuar a terapia a partir de casa, enquanto os especialistas acompanham o seu progresso e recuperação à distância.

Um homem está na sua sala de estar, com um visor de RV e a segurar os controladores, a realizar um exercício de reabilitação. Um computador de secretária tem um ecrã que exibe um ambiente virtual.

3. Cuidados de saúde automatizados e baseados em dados

O setor da saúde depende fortemente da validação objetiva. A RV permite integrar o acompanhamento biométrico contínuo diretamente no processo de tratamento. Por exemplo, o sistema pode registar automaticamente as amplitudes de movimento das articulações, a velocidade multieixos, os tempos de reação e os erros de processamento cognitivo. Os terapeutas recebem os dados e obtêm uma visão clara e mensurável do desempenho e da recuperação do doente.

4. Reforço da justificação dos custos do tratamento

A adoção da RV permite um reembolso simplificado. Os gráficos digitais automatizados de evolução do tratamento fornecem às seguradoras e aos doentes os dados necessários para justificar os custos do tratamento. Consequentemente, reduz-se o número de recusas de pedidos de reembolso e os transtornos administrativos.

5. Melhorar o envolvimento dos doentes através da gamificação

Um dos principais desafios da reabilitação é manter a motivação do doente ao longo de todo o percurso terapêutico. Os exercícios tradicionais são frequentemente monótonos e associados a desconforto físico.

A RV acrescenta elementos interativos e imersivos aos exercícios de reabilitação, tornando as sessões de terapia mais envolventes para os doentes. Esta experiência melhorada pode motivar e incentivar a participação contínua no programa de reabilitação. A aceitação da tecnologia por parte dos doentes também parece ser elevada, com alguns relatórios a indicarem que 62% dos doentes prefeririam cuidados baseados na RV em detrimento das abordagens tradicionais de cuidados de saúde em determinados contextos. Consequentemente, os profissionais de saúde podem melhorar a adesão aos planos de tratamento prescritos e apoiar uma participação mais consistente na terapia.

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Saiba mais

A ciência por trás da reabilitação com realidade virtual

Cada vez mais evidências comprovam a eficácia da reabilitação com RV em inúmeros contextos terapêuticos.

Por exemplo, um revisão sistemática constatou que um dos principais mecanismos subjacentes à reabilitação com RV é a visualização do movimento – a forma como as ações do doente são representadas no ambiente virtual. Ao fornecer feedback visual em tempo real, a RV cria um ciclo contínuo de perceção-ação que permite aos doentes acompanhar o seu desempenho. Em combinação com volumes elevados de treino, este ambiente rico em feedback pode reforçar a aprendizagem motora e contribuir para os resultados da reabilitação.

Para além das melhorias comportamentais, investigação indica que a RV também pode facilitar a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de se reorganizar em resposta ao treino e à experiência. Os estudos relataram várias alterações neurofisiológicas na sequência de intervenções com RV. Estas incluem:

  • Melhoria do equilíbrio inter-hemisférico;

  • Maior conectividade cortical;

  • Representação cortical alargada dos músculos afetados;

  • Maior ativação das regiões cerebrais envolvidas no controlo motor, na atenção e nas funções executivas.

Por fim, uma definição do âmbito revisão Vários estudos específicos revelaram que a reabilitação de AVC baseada na RV pode melhorar o equilíbrio dinâmico, a velocidade e a qualidade da marcha, bem como a capacidade de se orientar em ambientes do mundo real. Estes resultados devem-se provavelmente à prática intensiva de tarefas específicas, ao feedback multissensorial, ao maior envolvimento do doente e à oportunidade de treinar em segurança em cenários realistas que são difíceis de reproduzir em contextos de reabilitação tradicionais.

Em conjunto, os dados sugerem que a RV pode ajudar os doentes a melhorar a qualidade dos movimentos, a desenvolver competências funcionais e a apoiar a recuperação numa variedade de condições neurológicas e de reabilitação.

Principais aplicações clínicas na fisioterapia e na neurorreabilitação

Existem dezenas de exemplos de como a RV é utilizada no setor da saúde, desde o planeamento pré-cirúrgico até ao tratamento da dor aguda. No entanto, a reabilitação com RV é utilizada em várias especialidades clínicas, nomeadamente na fisioterapia, na recuperação neurológica e na reabilitação cognitiva. Os exemplos que se seguem destacam algumas das aplicações mais promissoras.

Reabilitação após um AVC e lesões cerebrais

Quando uma pessoa sofre um AVC ou uma lesão cerebral traumática, os danos afetam normalmente as vias neurológicas. Eis exatamente como a RV transforma o processo de recuperação.

Potenciar a neuroplasticidade

A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de redirecionar sinais para contornar áreas danificadas e criar novas vias. Para que se manifeste, são necessárias milhares de ações repetitivas e uma concentração intensa.

A terapia tradicional, em que o doente tem de mover um objeto centenas de vezes, é exaustiva e leva rapidamente à fadiga mental. Consequentemente, o cérebro fica incapaz de se concentrar e a recuperação fica comprometida.

Os exercícios baseados em RV podem tornar as tarefas repetitivas de reabilitação mais envolventes, transformando-as em atividades orientadas para objetivos. Em vez de repetirem o mesmo movimento várias vezes num ambiente clínico, pode pedir-se aos doentes que sigam alvos em movimento ou que realizem tarefas funcionais simples. Esta abordagem mantém a motivação e incentiva a participação ao longo de todo o processo de reabilitação.

Proporcionar um ambiente seguro para tarefas do mundo real

As lesões cerebrais costumam perturbar funções cognitivas como a orientação espacial, a atenção e a memória. Reaprender a orientar-se no mundo pode ser perigoso na vida real. A RV proporciona uma simulação segura, na qual um terapeuta pode acompanhar o progresso enquanto o doente pratica competências da vida quotidiana. Por exemplo, podem praticar preparar uma chávena de chá ou organizar uma prateleira sem correr o risco de se queimarem ou de deixar cair objetos pesados. Os doentes também podem praticar a travessia da rua sem qualquer perigo de trânsito do mundo real.

Reabilitação ortopédica

Na reabilitação ortopédica, a RV é utilizada principalmente para apoiar:

  • Reeducação motora consegue-se incentivando os doentes a realizar exercícios terapêuticos com a técnica adequada.

  • Exercícios de transferência de peso que promovem uma carga equilibrada após uma lesão ou cirurgia.

  • Correção da marcha através da identificação de padrões de movimento compensatórios e ajudando os doentes a desenvolver uma mecânica de marcha mais simétrica.

Além disso, a RV promove um feedback em tempo real sobre a qualidade dos movimentos, a postura e o desempenho nos exercícios. Por exemplo, após uma cirurgia ao joelho, um doente pode, inconscientemente, favorecer a perna não afetada. Os sistemas de RV conseguem detetar essas assimetrias e fornecer um feedback visual imediato, ajudando os terapeutas a orientar padrões de movimento mais equilibrados e eficientes.

Reabilitação vestibular

Na reabilitação vestibular, a RV é frequentemente utilizada para:

  • Exposição controlada a ambientes que possam provocar tonturas, desequilíbrio ou sensibilidade visual.

  • Simulação de cenários reais, tais como supermercados, estações ferroviárias, aeroportos ou espaços públicos com muita gente.

  • Exercícios de dificuldade progressiva, permitindo que os terapeutas aumentem gradualmente a complexidade visual e as distrações ambientais à medida que a tolerância melhora.

Por exemplo, um doente pode iniciar a terapia num supermercado virtual tranquilo e avançar progressivamente para cenários mais movimentados, com multidões em movimento, estímulos visuais dinâmicos e maior movimento ambiental. Esta exposição gradual ajuda os doentes a desenvolver tolerância, a melhorar o equilíbrio e a confiança e a gerir melhor os sintomas em situações do quotidiano.

Recuperação cognitiva e AVD

Numa clínica normal, um terapeuta pode entregar a um doente uma ficha de exercícios para treinar a memória ou pedir-lhe que classifique blocos coloridos para treinar a concentração. No entanto, estes exercícios tradicionais nem sempre refletem a complexidade do mundo real. As clínicas utilizam a RV para a recuperação cognitiva, uma vez que esta permite treinar a atenção, a memória, o planeamento e a orientação espacial em cenários realistas.

Por exemplo, os doentes podem trabalhar com cenários virtuais, como preparar uma refeição ou fazer compras de mercearia. Embora estas tarefas possam parecer rotineiras, dependem de uma combinação de capacidades cognitivas, tais como:

  • Função executiva;

  • Sequência de tarefas;

  • Mudança de atenção;

  • Memória de trabalho.

A RV permite aos profissionais de saúde avaliar e treinar estas competências em ambientes realistas, mas controlados, ajudando os doentes a recuperar a confiança e a independência na vida quotidiana.

Em contextos de recuperação cognitiva, uma simulação de RV pode colocar um doente num escritório movimentado ou num apartamento virtual onde várias coisas acontecem ao mesmo tempo (a campainha toca, uma panela no fogão começa a ferver, o telefone toca, etc.). O doente tem de estabelecer prioridades sobre o que fazer primeiro, treinando o cérebro para filtrar o ruído de fundo e gerir o caos. Estes exercícios ajudam a reforçar a atenção, a tomada de decisões e as competências de funcionamento executivo, que são essenciais para uma vida independente, para tarefas relacionadas com o trabalho e para a resolução de problemas do dia a dia.

Principais desafios da implementação da RV em contextos clínicos

Embora a realidade virtual ofereça um enorme potencial para os cuidados de saúde, tornar esta tecnologia numa ferramenta médica fiável constitui um desafio. A implementação da RV num ambiente de cuidados de saúde exige a superação de uma série de obstáculos fisiológicos, técnicos e regulamentares.

Desafios de usabilidade: enjoo digital e limitações de hardware

O primeiro problema é que os óculos de realidade virtual podem não ser adequados para toda a gente. Uma das principais considerações é a cinetose virtual, que pode incluir sintomas como:

  • Desconforto causado pelo movimento;

  • Náuseas;

  • Desorientação;

  • Fadiga ocular.

Estes efeitos variam significativamente consoante o indivíduo e o sistema de RV específico utilizado.

As limitações do hardware também são importantes. Os óculos de realidade virtual podem ser pesados, desconfortáveis ou difíceis de calibrar, e os sistemas de rastreamento podem ser sensíveis à disposição da sala ou aos movimentos do doente. Na prática, estas questões podem reduzir a duração das sessões, a adesão ao tratamento e o número de doentes que uma clínica consegue, de forma realista, atender.

Falta de precisão clínica

Em alguns cenários de reabilitação, os sistemas de RV convencionais podem não captar na íntegra os padrões de movimento compensatórios. Por exemplo, um doente com fraqueza no ombro pode compensar essa fraqueza recorrendo ao tronco para completar um movimento. Embora um terapeuta possa identificar esses padrões através da observação direta, o rastreio básico baseado em controladores pode limitar-se a registar a conclusão da tarefa, sem refletir a forma como o movimento foi efetivamente executado.

Outro aspeto importante a ter em conta é o nível de validação clínica subjacente ao software de reabilitação baseado em RV. Os responsáveis clínicos devem compreender se o novo software visa, de facto, a via neurológica correta para os seus doentes vítimas de AVC ou se se trata apenas de um videojogo sofisticado e dispendioso a que foi simplesmente atribuída uma etiqueta médica.

Limitações técnicas

Quer seja utilizado numa clínica ou entregue ao doente para levar para casa, o equipamento de RV gera frequentemente grandes dificuldades operacionais. A tecnologia requer manutenção constante e um ambiente estável para funcionar corretamente.

Dentro da clínica, resolver problemas com o Wi-Fi ou calibrar sensores faz com que se perca tempo valioso de terapia.

Ao mesmo tempo, quando os doentes utilizam a RV em casa, o pessoal clínico tem de prestar apoio técnico à distância. Os doentes idosos ou com pouca familiaridade com a tecnologia enfrentam frequentemente dificuldades com as atualizações das aplicações, o emparelhamento dos controladores e problemas com a rede Wi-Fi doméstica.

Segurança e privacidade dos dados

Um visor de RV não se limita a registar os teus cliques. Também regista constantemente a tua altura exata, a tua coordenação olho-mão, os padrões de movimento da cabeça e até os teus movimentos oculares (através do rastreio do olhar). Investigação constatou que bastam apenas 100 segundos de dados de movimento em RV para identificar uma pessoa específica numa multidão de 50 000 pessoas, com uma precisão superior a 94%.

Um problema adicional é que a maior parte do hardware de RV mais importante é fabricado por grandes empresas de tecnologia de consumo (como a Meta ou a HTC). Estes dispositivos são concebidos para sincronizar dados com nuvens comerciais, atualizar-se através de ligações públicas à Internet e monitorizar o comportamento dos utilizadores. Os departamentos de TI dos hospitais tendem a proibir a ligação de dispositivos a redes que possam acidentalmente divulgar informações dos doentes, pelo que a instalação de sistemas de RV pode deparar-se com problemas de segurança.

Melhores práticas para uma adoção harmoniosa da RV em contextos clínicos

No que diz respeito à implementação da RV, a primeira coisa em que as clínicas devem pensar é em encontrar um parceiro de confiança para fornecer uma solução.

A VOKA é especializada na prestação de serviços de RV e RA na área médica. Criamos ambientes 3D para o Meta Quest e o Apple Vision Pro com base na imersão e na gamificação. Além disso, os nossos especialistas médicos internos validam todos os modelos 3D e garantem a precisão clínica em todos os cenários.

"Os jogos para o grande público podem ser divertidos, mas a eficácia clínica é impossível sem um sistema de rastreio cinemático personalizado em tempo real e uma biomecânica medicamente precisa. Para apoiar verdadeiramente a neurorreabilitação, uma plataforma deve proporcionar um rastreio de dados em conformidade com a HIPAA e funcionar como uma verdadeira terapia digital baseada em evidências, e não apenas como uma simulação de arcada."

Mark K., Diretor de Desenvolvimento Comercial da VOKA

No entanto, a implementação eficaz da RV nos fluxos de trabalho clínicos exige uma mudança nas práticas existentes, na mentalidade do pessoal e nas estratégias de envolvimento dos doentes.

1. Comece por um caso de utilização clínica específico

Não tente resolver todos os desafios da reabilitação de uma só vez. Deve começar por um público-alvo específico (por exemplo, doentes com AVC, dor fantasma ou terapia vestibular) e definir indicadores-chave de desempenho (KPI) mensuráveis. Isto significa que deve definir desde o início o que constitui o sucesso – quer se trate de um aumento da adesão dos doentes, de marcos de recuperação mais rápidos ou de um maior volume de atendimento na clínica.

2. Dar prioridade ao envolvimento da equipa clínica e do pessoal

O maior obstáculo à adoção é, muitas vezes, a resistência da equipa clínica, e não a tecnologia em si. Para resolver o problema, pode-se promover uma formação abrangente. Ofereça formação prática que vá além de simplesmente "como ligar o aparelho". Os terapeutas precisam de saber como resolver pequenos problemas e integrar a RV de forma harmoniosa nos planos de cuidados habituais. Na verdade, a utilização de recursos interativos simulações de RV para estudantes de medicina e profissionais de saúde durante o processo de integração dos seus colaboradores pode acelerar significativamente a sua proficiência tecnológica.

Um grupo de profissionais de saúde reúne-se em torno de um computador portátil numa sala de formação. Uma médica usa um capacete de realidade virtual e segura os controladores, enquanto um formador mais velho, vestido com uma bata de laboratório, a orienta. Os outros médicos observam e tomam notas.

Deve também deixar claro que a RV é uma ferramenta destinada a reforçar os seus conhecimentos e a reduzir a sua carga de trabalho, e não a substituí-los.

3. Garantir a segurança e o conforto do doente

A RV pode apresentar desafios físicos e psicológicos únicos que devem ser geridos de forma proativa.

Em primeiro lugar, deve estabelecer procedimentos de higienização rigorosos e rápidos entre os doentes, como caixas de desinfeção UVC de qualidade médica ou máscaras faciais de silicone que possam ser limpas com um toalhete.

Em segundo lugar, é preferível implementar um protocolo de triagem para condições como epilepsia grave, enjoo digital ou feridas abertas na cabeça.

Por fim, pode propor aos doentes sessões curtas e de baixa intensidade para que ganhem conforto e confiança antes de passarem para jogos terapêuticos mais complexos.

4. Implementar um modelo de cuidados híbrido

Para maximizar o retorno do investimento e os resultados dos doentes, deve também concentrar-se no processo de reabilitação fora da clínica.

Utilize a clínica para dar as boas-vindas aos doentes e avaliar o seu nível de conforto com a RV. Assim que se tornarem proficientes, encaminhe-os para um programa de RV a realizar em casa, conforme prescrito.

Deve também garantir que os seus terapeutas tenham acesso a um painel de controlo para acompanhar a adesão aos exercícios em casa e o progresso de forma assíncrona, ajustando os níveis de dificuldade à distância.

Jogos de RV personalizados vs. jogos de RV "prontos a usar"

Ao integrar a realidade virtual nos cuidados de saúde, as clínicas deparam-se com dificuldades. Trata-se de uma escolha entre investir em software médico especializado ou adaptar jogos comerciais já existentes. A tabela abaixo apresenta uma comparação entre estas duas abordagens com base em parâmetros de referência essenciais.

Critérios de avaliação Soluções personalizadas de RV para o setor médico "Jogos de RV "prontos a usar» adaptados para outros fins
Análise biométrica e de progresso Regista os graus de extensão das articulações, a velocidade, a precisão do rastreio da mão e os parâmetros de amplitude de movimento em tempo real Não fornece dados de saúde úteis. As métricas limitam-se a tabelas de classificação ao estilo dos jogos de arcada e à duração das sessões
Conectividade com o EHR/EMR Os dados da sessão são sincronizados automaticamente, através de protocolos especiais, diretamente com os sistemas hospitalares Capacidade de integração limitada ou nula
Privacidade de dados e regulamentação Concebido com encriptação de ponta a ponta, cumpre as normas HIPAA/RGPD e possui as certificações de software médico da FDA e da CE Ao não cumprirem as leis relativas à privacidade dos doentes, os perfis de consumidores recolhem frequentemente dados biométricos para fins publicitários de terceiros
Reembolso do seguro Gera os dados objetivos e auditáveis necessários para facilitar a faturação com base nos códigos CPT padrão A ausência de um acompanhamento objetivo dos progressos funcionais torna a justificação da cobertura do seguro extremamente frágil.
Critérios de avaliação
Análise biométrica e de progresso
Soluções personalizadas de RV para o setor médico
Regista os graus de extensão das articulações, a velocidade, a precisão do rastreio da mão e os parâmetros de amplitude de movimento em tempo real
"Jogos de RV "prontos a usar» adaptados para outros fins
Não fornece dados de saúde úteis. As métricas limitam-se a tabelas de classificação ao estilo dos jogos de arcada e à duração das sessões
Conectividade com o EHR/EMR
Soluções personalizadas de RV para o setor médico
Os dados da sessão são sincronizados automaticamente, através de protocolos especiais, diretamente com os sistemas hospitalares
"Jogos de RV "prontos a usar» adaptados para outros fins
Capacidade de integração limitada ou nula
Privacidade de dados e regulamentação
Soluções personalizadas de RV para o setor médico
Concebido com encriptação de ponta a ponta, cumpre as normas HIPAA/RGPD e possui as certificações de software médico da FDA e da CE
"Jogos de RV "prontos a usar» adaptados para outros fins
Ao não cumprirem as leis relativas à privacidade dos doentes, os perfis de consumidores recolhem frequentemente dados biométricos para fins publicitários de terceiros
Reembolso do seguro
Soluções personalizadas de RV para o setor médico
Gera os dados objetivos e auditáveis necessários para facilitar a faturação com base nos códigos CPT padrão
"Jogos de RV "prontos a usar» adaptados para outros fins
A ausência de um acompanhamento objetivo dos progressos funcionais torna a justificação da cobertura do seguro extremamente frágil.

Ambas as abordagens podem ser úteis na reabilitação, mas foram concebidas para fins diferentes. Os jogos comerciais de RV podem ser utilizados para aumentar o envolvimento dos doentes ou proporcionar experiências imersivas a um custo mais baixo.

No entanto, quando se pretende que a RV faça parte de um fluxo de trabalho clínico, apoie as decisões terapêuticas e acompanhe a evolução do tratamento, as soluções de RV específicas para o setor médico oferecem, normalmente, a funcionalidade e a conformidade exigidas pelos contextos de cuidados de saúde.

Conclusão: o futuro da fisioterapia com RV

É fundamental ter em conta que a fisioterapia baseada na RV não substitui a experiência prática de um profissional de saúde qualificado. Funciona como uma ferramenta poderosa para ampliar o alcance dos cuidados e aumentar o envolvimento e a motivação dos doentes.

Ao transformar exercícios repetitivos em experiências imersivas, semelhantes a jogos, a RV resolve o problema comum da adesão dos doentes. Transforma a reabilitação exaustiva em sessões envolventes e gratificantes, pelas quais os doentes ficam realmente ansiosos. Além disso, proporciona aos profissionais de saúde dados de movimento precisos e em tempo real, permitindo um acompanhamento mais objetivo do progresso e ajustes nos planos de tratamento baseados em dados.

Está pronto para implementar tecnologias imersivas de nível clínico? Contactar a VOKA para o desenvolvimento de soluções de RV médicas personalizadas.

FAQ

1. Quais são os principais benefícios da realidade virtual na reabilitação?

A realidade virtual melhora a reabilitação, aumentando o envolvimento do doente através de uma experiência gamificada. Promove um maior número de repetições e uma recuperação mais rápida, além de proporcionar um ambiente seguro e controlado para praticar tarefas do mundo real.

2. A RV pode ser utilizada na reabilitação após um AVC?

Sim. A RV é altamente eficaz na reabilitação após um AVC, uma vez que estimula a neuroplasticidade. As simulações imersivas induzem o cérebro a mover os membros afetados, ajudando os doentes a recuperar as capacidades motoras, o equilíbrio e a perceção espacial. Permite ainda a prática segura de atividades quotidianas, como esticar o braço ou agarrar objetos, num ambiente virtual sem riscos.

3. Que normas em matéria de privacidade de dados e integração com os registos de saúde eletrónicos (EHR) devem as plataformas de RV médica cumprir para a sua implementação clínica?

As plataformas de RV médica de nível empresarial devem dispor de uma encriptação robusta de ponta a ponta para cumprir a HIPAA, o RGPD e a legislação local relativa aos dados médicos. Ao contrário do hardware destinado ao consumidor, o software de RV médica é concebido para se integrar com os sistemas hospitalares de registos de saúde eletrónicos (EHR) através dos protocolos HL7 ou FHIR, garantindo uma transferência de dados automatizada e segura.

4. Qual é a diferença entre os jogos de RV disponíveis no mercado e a RV médica personalizada?

A RV médica personalizada recolhe dados clínicos precisos, sincroniza-se automaticamente com os sistemas de registos médicos eletrónicos (EMR) dos hospitais, cumpre a legislação relativa à privacidade dos doentes e gera as métricas auditáveis necessárias para o reembolso dos seguros. Por outro lado, os jogos de RV disponíveis no mercado oferecem poucos dados de saúde úteis, não cumprem os requisitos de segurança médica e não se integram com o software de cuidados de saúde.

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